16
May
Por Mayara
Extraordinário
Editora: Intrínseca
páginas: 315
Rating: 




Sinopse: August Pullman, o Auggie, nasceu com uma síndrome genética cuja sequela é uma severa deformidade facial, que lhe impôs diversas cirurgias e complicações médicas. Por isso ele nunca frequentou uma escola de verdade… até agora. Todo mundo sabe que é difícil ser um aluno novo, mais ainda quando se tem um rosto tão diferente. Prestes a começar o quinto ano em um colégio particular de Nova York, Auggie tem uma missão nada fácil pela frente: convencer os colegas de que, apesar da aparência incomum, ele é um menino igual a todos os outros.
Narrado da perspectiva de Auggie e também de seus familiares e amigos, com momentos comoventes e outros descontraídos, Extraordinário consegue captar o impacto que um menino pode causar na vida e no comportamento de todos, família, amigos e comunidade – um impacto forte, comovente e, sem dúvida nenhuma, extraordinariamente positivo, que vai tocar todo tipo de leitor.
Extraordinário é o primeiro livro da autora que atende pelo pseudônimo de R.J. Palacio. Auggie – ou August, seu primeiro nome – é um garoto que teve um problema – uma mutação – quando estava na barriga de sua mãe, e após nascer, depois de algumas outras cirurgias, houve complicações, e então seu rosto ficou deformado. O nome dessa síndrome é tão difícil que – nem eu – nem Auggie consegue pronunciar.
Por vários anos ele se culpou por isso, por que ser tão feio? Por que dar tanto trabalho? Por que ser um fardo? Mas sua mãe, tão linda e tão compreensiva, nunca, jamais o achou feio, ridículo, ou qualquer coisa do gênero. Ela sempre dizia que Auggie era extraordinário! Lindo de uma forma diferente, e, principalmente, lindo em sua essência.
Quando o menino chega ao sexto ano, seus pais decidem que ele deve começar a ir à escola, já que não há outra forma de ele se socializar, se não começando pela escola. Não importa onde Auggie estivesse: ele sempre seria olhado de forma diferente, como se fosse uma aberração, uma coisa de outro mundo, ele já havia se acostumado com isso, tecnicamente, mas será que havia mesmo?
Então, ele é levado à escola – muito bem conceituada – em que foi aceito, e conheceu três crianças: Jack Will, Julian e Charlotte. Jack é o primeiro com quem August tem realmente contato, e, apesar de tudo o que os dois têm de enfrentar – August, o medo de ser instantaneamente rejeitado, e Jack, o medo de lidar com uma criança que tem o rosto deformado, até porque, todos ali já o conheciam de vista, como o garoto aberração, ele já estava condicionado a ter esses pensamentos. Será que ele era tão ruim assim? -, se dão muito bem. Charlotte também é sempre muito simpática. Mas é Julian quem começa a dar os primeiros sinais de rejeição em relação ao novato. Como seria lidar com tudo isso?
As aulas de fato começam, e August tem de lidar com muita coisa ao mesmo tempo. Será que vai conseguir? É complicado ser um pré-adolescente, imagina ser um com um rosto deformado? Porém, ao longo de sua jornada, ele encontra, também, pessoas maravilhosas, como a sra Garcia, o sr Buzanfa, a mãe de Jack Will e ele próprio, além de Summer (sua melhor amiga, agora) e Justin, o namorado de sua irmã Olivia – mais conhecida como Via.
Auggie tem muito o que aprender – e não só sobre ciências, sua matéria favorita, em que ele é realmente muito bom, senão o melhor -, muito a sofrer, também, infelizmente, porém, com todas as situações em que passa, Auggie mostra que de nada importa sua aparência externa, se você não for realmente belo em seu interior. Há uma prova de amizade muito linda, e uma lição sobre como podemos ser mesquinhos em relação ao amor ao próximo.
Levarei os ensinamentos desse livro adiante, por toda a minha vida, e espero que mais pessoas o leiam e sintam tudo o que senti e aprendi – amadureci – com August Pullman. Um beijo a todos, e realmente n]ao julguem um menino livro pela cara capa. Voc~^e pode se surpreender.
P.S.: Quero deixar aqui registrado que lembrei de uma pessoa (uma das mais fortes e guerreiras que já conheci nesse mundo blogueiro) em especial: a Rê Vitrola. Pra quem não sabe – e espero que ela não se importe que eu comente isso aqui, mas se ela se importar, eu retiro -, a Rê teve um anjinho lindo há algum tempo, o Quim, que nos encantava todo dia com sua força, determinação e beleza incansáveis, e suas fotos em todos os seus seis meses de vida. O quim nasceu cego e surdo, com lábio leporino, quase como Auggie (ele não era cego, mas nasceu com problemas de audição, além de sua síndrome, e o lábio leporino), e lutou bravamente por sua vida até o fim, assim novamente como Auggie. Da metade do livro para o final, a cada página que lia, e a cada lágrima que derramava, não pude deixar de pensar nesse anjinho que encantava meu facebook com seu sorriso quase todos os dias. E, ao final do livro, com todas as lições que aprendi, não pude deixar de admirar cada vez mais essa mãe espetacular que foi a Renata.
Eu simplesmente espero, e creio nisso, que um dia nós possamos conviver com as diferenças normalmente. Não interessa se somos cegos, surdos, mudos, magros, gordos, altos ou baixos. Aparência não influencia caráter, e, como já disse, de nada adianta a beleza exterior, se não tivermos uma alma tão bela assim. Espero que essa resenha sirva de reflexão para todos nós, e que um dia encontremos ao menos um Auggie por aí, porque a força que esses Auggies espalhados pelo mundo têm é inimáginável, e a lição que podemos aprender com cada história de pessoas extraordinárias é realmente maravilhosa.
Um beijo enorme,
May :*